A Reforma Íntima na PráticaPara estarmos empenhados em nossa reforma interior é imprescindível estarmos empenhados num processo contínuo de autoconhecimento.

Precisamos identificar o que é nossa persona. O que criamos para nos adequar as exigências da sociedade, ou para nos proteger de algum possível sofrimento. É importante percebermos que ao longo do tempo acabamos nos identificando com nossa criação e passamos a desconhecer quem somos realmente. Por isso, o autoconhecimento é tão cheio de autodescobertas e acaba nos surpreendendo ao nos depararmos com nós mesmos.



Reformar é formar novamente. É dar uma nova forma. E, a reforma íntima sugere que podemos dar nova direção aos valores que já possuímos e superar nossas inferioridades. Estas, precisam primeiro ser reconhecidas e depois aceitas, para então, através da vontade termos a motivação necessária para efetivar a mudança.

Não é exterminar o mal em nós, e sim fortalecer o bem que está adormecido em nossa consciência. Não é reprimir, mas educar nossos sentimentos. Não reconhecimento e repressão não educam. A pessoa que transita nessa fase não consegue fazer a transformação. E está aí um ponto chave. Para fazer a reforma íntima é preciso saber o que reformar. Por isso a importância de se reconhecer, para a partir daí, cada um traçar uma meta sabendo aonde quer chegar.

Quando nós reprimimos nossos pensamentos e as emoções primárias, desenvolvemos pensamentos e sentimentos que são apenas aparentemente positivos. Isto ocorre porque com o processo de repressão não há ressignificação das crenças e transmutação das emoções primárias.

O tão famoso ORAI e VIGIAI possibilita a transformação de pensamentos automáticos negativos em pensamentos conscientes e equilibrados, para, então transmutarmos as emoções primitivas em emoções nobres como amor, compaixão, humildade, perdão. Mas, para fazer isso precisamos desenvolver o autoquestionamento interior para que nossas escolhas automáticas, aquelas que fazemos “sem pensar”, tornem-se conscientes.

É importante lembrar que por mais automáticas que sejam as nossas ações, elas também são escolhas que fazemos a todo o momento. Só que escolhemos de forma automática. Quando nos tornamos conscientes passamos a ter o poder em nossas mãos.

Se observarmos nossas escolhas no momento em que elas acontecem podemos transformar esses automatismos. O simples fato de observá-las transforma a ação subconsciente em ação consciente. Isso nos ajuda a transformar os pensamentos e sentimentos negativos em positivos.

Portanto, o autoquestionamento é a base do autoconhecimento. Eu quero realmente mudar? Estou realmente empenhado em me descobrir? Onde ainda me deixo levar pelo autoengano? Minhas escolhas estão trazendo mudanças? Estou fazendo bem a mim e aos outros? Como mantive meus pensamentos e atitudes, meus sentimentos e vibração no dia de hoje?

Essas perguntas, e muitas outras, nos auxiliam a sermos mais verdadeiros com nós mesmos, pois nos remetem a tomar consciência de nossas escolhas e, do fato de estarmos, realmente, dispostos a um processo de mudança ou não.  Para isso é fundamental a disposição de se libertar do autoengano, pois de nada adianta dizer que queremos a mudança, se continuamos na inércia.

A vontade é muito importante para o processo de desenvolvimento interior. É fundamental utilizar a energia da vontade como disciplinadora da energia mental a fim de superarmos essa forma de viver instintiva e automática, se quisermos ser pessoas conscientes de nós mesmos, caminhando para um nível mais elevado de consciência.

E, para que tenhamos sucesso nessa missão divina, é importante estarmos atentos aos nossos mecanismos de defesa, as nossas máscaras, as nossas fugas, ou seja, ao autoengano. É preciso termos curiosidade para descobrir nossos padrões e encontrar uma forma saudável de quebrá-los e reconstruí-los.

Reconhecer é o primeiro passo. De nada adianta negar uma parte de você, só torna o caminho mais longo e doloroso. Mas, para superar é preciso ir além. É possível mudar! É possível reformar. Mas, é preciso empenho e persistência. Reconhecer que não somos e não precisamos ser perfeitos é o primeiro passo. Apenas o primeiro! Agir é muito importante! Esforçar-se para ressignificar suas crenças e entender que não é necessário continuar pensando, sentindo e agindo igual é a chave.

Quando se deparar com alguma imperfeição que precisa ser superada, diga sempre a você: eu tenho essa imperfeição e me amo como sou. Ela não me faz menor que ninguém. Quero conviver bem com essa minha tendência e fazer o melhor que puder para aperfeiçoá-la.

Quando fazemos os esforços de mudança para melhor o resultado é a conquista de paz, da harmonia, do sentimento de alegria, do pertencimento de realmente estar no caminho traçado por Deus para todos nós.